segunda-feira, 27 de maio de 2013

Foco Automático

No começo me assustou...
Confesso que exitei o quanto pude
Mas vi que, de início, curou
aquilo que, por ventura, me ilude.

Talvez não curar,
um paliativo bastou.
Nem sei se almejo melhorar
desse mal que me alegrou.

Se a tristeza ensina,
a alegria faz esquecer.
Talvez, esta seja minha sina:
Aprender, esquecer e assim viver.

Não quero mais olhar para trás
Só o que quero agora é paz.
Não mais lacrimejar o que desfocou,
apenas refazer o que se sonhou.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Mártir do Bem Querer


Um bem querer não basta,
Só me contento com mais.
Esse bem querer me nefasta
Expulsa, do meu peito, a paz.

Não queria assim,
Queria tão diferente...
Queria te fazer contente,
Queria você junto a mim.

Aí a gente se distraí
E, por mero descuido,
O riso se esvai.

Aí percebo que chegou ao fim:
E aprendi estar só,
Somente junto a mim.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Salva-Vidas

A dor me cegou de tal forma,
Que quase não percebi
Que a felicidade estava logo ali:
Nem tão longe para se alcançar
E nem tão perto para se esbanjar.

E veio então um sorriso
para, uma lágrima, disfarçar,
Mas o ensaio foi tão preciso
Que não foi necessário encenar.

A alegria, então, brotou feito flor
Que desabrocha na primavera
Assim que sente o calor
Emanado pela nova quimera.

E assim tornou-se loucura
Para aqueles que não escutavam o som
O qual me fez feliz da forma mais pura:
Resgatando em mim o que havia de bom.

E foi assim que cataste meu resto
E, colando aos poucos me refez.
Ao me trazer para perto,
Fez-me feliz outra vez.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Crepúsculo

          Foi na tarde de maior tempestade que um passeio pela beira mar se tornou ideal, como se a reviravolta das marolas (sim, o mar estava mais calmo que as tantas mentes que o admiravam) tivesse sido, naquele instante, a pertubação necessária para homogenizar novamente a solução consistida de tantos pensamentos. E, apesar do silêncio, mente alguma estava quieta. As ideias eram tantas que, somadas às lembranças, já não cabiam apenas na memória e saltavam pelos olhares, ainda perdidos pelo mar.
          Talvez a areia, a brisa suave ou até mesmo o Sol fraco do entardecer, tudo, da sua maneira, conspirava um tanto para que aquela tarde fosse ideal. Ninguém soube ao certo para que, exatamente, mas que fosse assim, sem tirar nem por. O tempo passava e os tantos olhares (alguns aflitos, outros tristes e mais tantos outros a milhas de distância) ainda permaneciam imersos da água salgada. Impressionava como, sem falar nada, o mar podia ensinar tanto!
          Naquela tarde ordinária, pode-se aprender que, por maior que seja a onda, ela sempre recua antes de chegar à praia e assim, o mar ensinou a cautela. Na mesma tarde, aprendeu-se também que é mais fácil ceder à vontade dos ventos e não importa se deve ser exatamente desse jeito, mesmo que depois, ao se tornar brisa, a mesma vontade já não mais impere, a faça. O que vier depois, a maré dirá. Pode-se aprender tantas outras coisas mas a maior lição foi que não há nada melhor que passar o fim de tarde olhando o mar.