sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Versos de um poeta mudo

Escrevo pra sorrir,
Escrevo pra chorar,
Escrevo pra fugir,
Escrevo pra poder encarar...

Uso o papel pra me esconder
e a tinta pra me defender.
Uso as palavras para acalmar
e versos para consolar.

Escrevo pra contar o que passou,
escrevo pra imaginar o que está por vir...
Escrevo sobre onde já se errou,
escrevo sobre o que não se pode mais corrigir.


Escrevo para evitar falar,
apesar de ter muito a dizer.
Escrevo, as vezes, para acalentar
mas nunca escrevo para ofender.

Já escrevi tanto,
que, em palavras, acabo por me perder.
Mas ainda não respondi:
se escrevo enquanto vivo,
ou se vivo para escrever...

terça-feira, 22 de novembro de 2011

O maior trolador de todos os tempos

A princípio, eu deveria estar aqui escrevendo uma linda mensagem de final de ano, muito comovente indagando o quanto o ano passou rápido e o quão melhor o próximo será mas não. Definitivamente, hoje, esta não é minha proposta. Concordando com Drummond, realmente acho brilhante o homem cuja invenção é capaz comover pessoas e até criar um sentimento de renovação e caridade. Este homem inventou a divisão do tempo e sem dúvida, foi o maior trolador de todos os tempos.
O que se espera do fim de ano é aquele sentimento de renovação, de missão cumprida (ufa, chegamos ao final de mais um ano) e de comoção. A verdadeira essência das coisas mais simples está quase perdida em meio tanta loucura. Nesse caos apresentado, já não se sabe o porquê das ações ou suas finalidades, é preciso fazer e ponto. Até que ponto chegar-se-á à queda dos valores humanos?
O individualismo alcançou uma magnitude quase irreversível. Vive-se em um mundo em que a exploração de um amigo é meio único de alcançar objetivos.
Lastimavelmente, a busca humana pelo ter, pela satisfação dos próprios desejos e até mesmo pela autoafirmação levou todos nós a um abismo. O valor de uma vida parece estar em crise. A vida parece valer menos que papéis coloridos ou pedras.
Pensando bem, um mundo onde pessoas servem de degrau e tapete não poderia estar muito diferente. É um mundo onde coisas são amadas e pessoas são usadas. Já que a sociedade é construída nos pilares dos rótulos e etiquetas, deve-se, então, rerotular o ser humano e constar em sua embalagem seu verdadeiro valor. Ser humano é o maior deles. Como diria Bicock: ''se a paz está em cada um, a paz está em todos''. Nunca um clichê foi tão certo.
Um mundo melhor não custa nada. Uma autoavaliação também não. Mesmo em frenesi, calcule novamente suas diretrizes e confirme se está na rota certa. Caso contrário, nunca é tarde pra mudar. Vá pra onde o vento te levar, mas sem esquecer-se de que ''nenhum vento é favorável pra quem não sabe onde ir''.

sábado, 5 de novembro de 2011

Trolando o crescimento

Dos clichês que a gente cresce ouvindo, um dos poucos verdadeiros é que a infância é sim a fase mais fácil da vida. Não pela "ausência" de problemas, compromissos ou responsabilidades mas pela sua astúcia e simplicidade. Quando criança, os estresses maiores se resumem a alguém que comeu seu último doce ou quebrou seu brinquedo favorito. É tudo mais claro, mais óbvio e a escuridão, por mais que seja temida, não existe.
Procurei, esses dias, pela coragem que todos tem quando criança. Parece areia que se esvai com o tempo. Responder perguntas simples parecia tão fácil e os fantasmas possíveis pareciam ser pequeninos diante da alegria proporcionada pela realização de um sonho.Ser bombeiro, policial, bailaria, jogador de futebol, veterinário, astronauta era tudo que podíamos querer. Salário, carga horária, risco de vida e afins não importavam, o sonho ainda era maior.
Me perguntei ainda para onde iria tanta ousadia, tanta bravura. Quando pequenos, enfrentar dragões, monstros e seres maléficos era divertido e atualmente, por vezes, somos incapazes de dizer poucas verdades. Nos omitimos na sombra dos valores éticos, justificando que ''as  coisas não são bem assim'', ''nem tudo é como se quer'' e outras mais desculpas.
Sonhar quando adulto, virou artigo de luxo. Viver parece não ser mais essencial. Há muitos corpos perambulando por ai sem alma. Um homem sem sonho não tem porque estar aqui. É como um arquiteto que não imagina uma nova casa, um professor que não quer formar um aluno ou um compositor que não gosta de música. Quando olhamos o ''mundo adulto'' de baixo, ele parecia ser tão legal...
Não que os sonhos tenham sido extintos, mas são poucos os que permitem seu desenvolvimento. Quase ninguem acredita mais no potencial de um ideal, nem mesmo que o imaginou. Basta um pensar que vai viver de arte, pintar quadros e ser feliz, para que outro afirme: ''vai morrer de fome''. O mais estranho, e que no capitalismo atual, baseado no crédio e no dinheiro virtual tem uma sociedade ainda presa a notas.
Somos muitos com comida na mesa, carros grandes na garagem, muitos remédios em casa e algumas doenças psicosomáticas.
A solução do mundo não é parar tudo e deixar ao Deus dará tudo conquistado. Responsabilidades são vitais e, de fato, as coisas não são como queremos. Mas podem ser. Basta que, para isso, seja permitido que nosso corpo cresça, mas que o espirito jamais deixe de ser criança.