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Créditos: Yan Nogueira
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Quando o coração fica apertado, é porque a cabeça já está cheia. É nesse momento que se sente cada parte do corpo: a garganta da um nó, as mãos já se deram por congeladas e os olhos já não suportam mais tanta lágrima e escorre, então, a primeira. Seria hipocrisia dizer que gosto do silêncio que fica quando meus pensamentos gritam, mas não posso negar que é a melhor coisa que há. Com tanta música para traduzir o que sinto, mal me escuto e só nesse silêncio posso entender o que sinto. Ou não. As vezes (quase sempre) meus pensamentos gritam tão exaustivamente que saltam pelo olhar e aí campeão, nem a caneta acalenta.
Aprecio o silêncio pelo tanto que ele pode transmitir. Só ele tem o dom de eternizar um segundo e sobrecarregá-lo de tanta ternura. Há, no silêncio, uma magia única e tão rara que, por isso, faz-se incompreendido. Isso é tão raro que quando não é mal aplicado, é, quase sempre, péssimamente interpretado, sendo classicamente traduzido por ignorância. A verdade é que não há tradução pro silêncio. Olhar no fundo dos olhos pode dizer tanto que frase alguma o substitui.
Há quem vá dizer que imagens e atitudes valem mais que mil palavras. Que me desculpem os adeptos a essa filosofia mas, para mim, o silêncio ainda é imbatível. Nada no mundo será tão sutil e tão eficaz quanto ele porque se houve abraços, beijos e uma história, tudo só aconteceu porque houve, antes, um olhar.
"As palavras são cheias de arte e falsidade. O olhar sim, é a voz do coração"
SHAKESPEARE, W.
