E se você negasse sua felicidade
E Se negasse a toda sensação?
E se você negasse que nega,
Faria sentido, então?
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
domingo, 2 de fevereiro de 2014
Sonho
Quando eu acordar,Quero, comigo, o Sol levar,
Quero vestir meu melhor sorriso
E seus brilhos espalhar...
Quando eu acordar,
Não saberei o que é ser triste
E mesmo não acreditando,
Peço então, para que acredite.
Quando eu acordar,
Talvez de tudo isso me esqueça,
Mas hoje,
deixe como está...
Deixe para acontecer só quando eu acordar.
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
Soneto Toscana
Não que todo sonho não valha a pena,
Nem que toda lágrima seja boa,
Mas quando a alma não é pequena,
Nenhum pranto é pranto a toa...
Não que todo sorriso seja feliz,
Nem que toda solidão seja amarga,
Mas quando a alma é diretriz,
Nenhum pensamento a retarda.
E dos pulsos, houve o fim.
Sem mais impulsos,
Simples assim.
O sentimento aos poucos vira pó
E o pouco que restará
Não será o pior.
Nem que toda lágrima seja boa,
Mas quando a alma não é pequena,
Nenhum pranto é pranto a toa...
Não que todo sorriso seja feliz,
Nem que toda solidão seja amarga,
Mas quando a alma é diretriz,
Nenhum pensamento a retarda.
E dos pulsos, houve o fim.
Sem mais impulsos,
Simples assim.
O sentimento aos poucos vira pó
E o pouco que restará
Não será o pior.
quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
Cirurgia
"Daí, então, eu me dobrei, pus-me no bolso e continuei. Ah, no bolso da camisa, é claro, é mais difícil de perder... Não que eu já não estivesse perdido, mas é sempre bom saber que se está no peito. Se estou perdido? Sim, é claro! Sempre estou... [risos] Pois é, estranho né? Logo eu que sempre mostrei o caminho, logo eu que sempre desenhei o mapa, logo eu que me orientava só pelas estrelas, logo eu...
"Aqui dentro é quente", pensei. Nunca havia estado tão perto do peito. Bem, alguns já haviam descrito como era a sensação, mas sempre duvidei. Ora, como pode ser quente e aconchegante? Se calor fosse confortável ninguém ligava ar-condicionado... Mas era. E como era! Falando assim, até é possível sentir saudade. "Não tenho tempo para isso", pensei e continuei a caminhar.
A noite chegava e o crepúsculo nunca fora tão charmoso. Parei de novo. Que se dane o jeans de marca, eu precisava sentar e aquela pedra nunca fora tão confortável! Fiquei ali, estagnado, perdido ainda, tentando me encontrar e no breve momento que me encontrei no deleite do escurecer do céu, lá estava eu, mais uma vez, perdido, sem saber para onde caminhar...
Olhei para o chão, lá estava a flor que tanto admirava... Esbocei um choro (forçado, admito), mas sincero, numa vã tentativa de regá-la. Vã, eu disse e de fato foi. Com o sentimento amuado, a colhi novamente (como sempre fazia) e a pus no bolso, junto a mim. Embora esmagada, suja de terra e um tanto machucada, ainda pude ver sua seiva (ainda havia um tanto da que fabricava) e, vendo que havia me esquecido de me preocupar com seu caule, o substitui tentando alimentá-la do que ela mesmo produzia.
A aurora ameaçava chegar e consigo, meu sorriso trazia. Na medida que sua cor retornava, aos poucos (lenta e timidamente), o dever cumprido era a sensação que eu tinha e o sorriso se tornava cada vez mais LSD (sim, não tinha descrição melhor e eu sei que você entendeu).
Vendo sua viçosidade aflorando, decidi devolve-la à terra. Antes mesmo que acordasse, já implantara novas raízes e, quando menos esperara, já se encontrava na terra de novo. Ali, sozinha, linda, viçosa e com o doce perfume hipnotizante de sempre. Eu, continuei andando. Você, foi ficando cada vez menor. Eu, ainda olhando para trás, tropecei e cai (assim a vida me forçou a olhar para frente). Levantei rápido, ainda atordoado e você já não estava mais lá...
Continuei andando, até minha exaustão. Dias se passaram e, embora ainda no mesmo caminho, não fazia sombra de ideia para onde estaria indo. Lembrei-me então daquele crepúsculo, daquele dia que cheguei tão perto de me encontrar e, quando faltava um triz, eu encontrei você. Pensando, ainda sentado (a força do hábito não me permitia admirar o céu de pé), descobri que foi a única vez que não pensei mais no caminho e nem na direção. Entendi assim que, talvez, fosse você meu caminho e eu, tolo, te deixei por lá, segui outro rumo: desconhecido, não querido, nem um pouco amigo. Senti sua falta, meu bolso estava vazio (porque nem eu mesmo estava mais lá), o que me fez olhar para trás a sua procura.
Não te achei. Só o que vi foi uma linda árvore (próxima de onde te deixei, segundo meus cálculos), cheia de frutos e com a mesma viçosidade. Não sei se as folhas eram tão bonitas, mas seu perfume, esse sim, o vento fez questão de trazer o doce cheiro hipnotizante. Entrei em transe. Pus-me a caminhar. Ainda não sei para onde, ainda perdido, mas caminhando. Ainda não sei onde quero chegar, mas sei que é esse cheiro o melhor para me guiar... Talvez eu te encontre, talvez eu me ache, talvez só o que eu queira seja ser suas raízes e dormir sob suas folhas esperando a próxima aurora chegar."
"Aqui dentro é quente", pensei. Nunca havia estado tão perto do peito. Bem, alguns já haviam descrito como era a sensação, mas sempre duvidei. Ora, como pode ser quente e aconchegante? Se calor fosse confortável ninguém ligava ar-condicionado... Mas era. E como era! Falando assim, até é possível sentir saudade. "Não tenho tempo para isso", pensei e continuei a caminhar.
A noite chegava e o crepúsculo nunca fora tão charmoso. Parei de novo. Que se dane o jeans de marca, eu precisava sentar e aquela pedra nunca fora tão confortável! Fiquei ali, estagnado, perdido ainda, tentando me encontrar e no breve momento que me encontrei no deleite do escurecer do céu, lá estava eu, mais uma vez, perdido, sem saber para onde caminhar...
Olhei para o chão, lá estava a flor que tanto admirava... Esbocei um choro (forçado, admito), mas sincero, numa vã tentativa de regá-la. Vã, eu disse e de fato foi. Com o sentimento amuado, a colhi novamente (como sempre fazia) e a pus no bolso, junto a mim. Embora esmagada, suja de terra e um tanto machucada, ainda pude ver sua seiva (ainda havia um tanto da que fabricava) e, vendo que havia me esquecido de me preocupar com seu caule, o substitui tentando alimentá-la do que ela mesmo produzia.
A aurora ameaçava chegar e consigo, meu sorriso trazia. Na medida que sua cor retornava, aos poucos (lenta e timidamente), o dever cumprido era a sensação que eu tinha e o sorriso se tornava cada vez mais LSD (sim, não tinha descrição melhor e eu sei que você entendeu).
Vendo sua viçosidade aflorando, decidi devolve-la à terra. Antes mesmo que acordasse, já implantara novas raízes e, quando menos esperara, já se encontrava na terra de novo. Ali, sozinha, linda, viçosa e com o doce perfume hipnotizante de sempre. Eu, continuei andando. Você, foi ficando cada vez menor. Eu, ainda olhando para trás, tropecei e cai (assim a vida me forçou a olhar para frente). Levantei rápido, ainda atordoado e você já não estava mais lá...
Continuei andando, até minha exaustão. Dias se passaram e, embora ainda no mesmo caminho, não fazia sombra de ideia para onde estaria indo. Lembrei-me então daquele crepúsculo, daquele dia que cheguei tão perto de me encontrar e, quando faltava um triz, eu encontrei você. Pensando, ainda sentado (a força do hábito não me permitia admirar o céu de pé), descobri que foi a única vez que não pensei mais no caminho e nem na direção. Entendi assim que, talvez, fosse você meu caminho e eu, tolo, te deixei por lá, segui outro rumo: desconhecido, não querido, nem um pouco amigo. Senti sua falta, meu bolso estava vazio (porque nem eu mesmo estava mais lá), o que me fez olhar para trás a sua procura.
Não te achei. Só o que vi foi uma linda árvore (próxima de onde te deixei, segundo meus cálculos), cheia de frutos e com a mesma viçosidade. Não sei se as folhas eram tão bonitas, mas seu perfume, esse sim, o vento fez questão de trazer o doce cheiro hipnotizante. Entrei em transe. Pus-me a caminhar. Ainda não sei para onde, ainda perdido, mas caminhando. Ainda não sei onde quero chegar, mas sei que é esse cheiro o melhor para me guiar... Talvez eu te encontre, talvez eu me ache, talvez só o que eu queira seja ser suas raízes e dormir sob suas folhas esperando a próxima aurora chegar."
quarta-feira, 27 de novembro de 2013
Epitáfio
Jaz aqui
O choro abafado,
O abraço não dado
E o sofrimento calado.
Jaz aqui
A beleza da gente,
O que nunca se sente
E uma cabeça quente.
Jaz aqui
A estrela ofertada,
A aurora esperada
E a lágrima enxugada.
O que não coube aqui
E nos espera logo ali
Foi a promessa esquecida
De uma vida bem vivida
Além dessa que se perdeu.
O choro abafado,
O abraço não dado
E o sofrimento calado.
Jaz aqui
A beleza da gente,
O que nunca se sente
E uma cabeça quente.
Jaz aqui
A estrela ofertada,
A aurora esperada
E a lágrima enxugada.
O que não coube aqui
E nos espera logo ali
Foi a promessa esquecida
De uma vida bem vivida
Além dessa que se perdeu.
domingo, 10 de novembro de 2013
Rosa dos Ventos II
E quantas vezesLevei-me pelo mar?
Por tantas vezes
Que me perdi num breve olhar...
Quantas vezes
Acalmei-me pelo soar
Dos tantos ventos
Que vieram, ao ouvido, soprar...
Quantas vezes
Foi o verde, no mais tardar,
Que curou-me do tanto chorar...
E, pelas lágrimas,
Quantas estrelas deixei de contar...
Quantos sonhos deixei por lá...
E perguntei aos céus:
Quando meu sorriso voltará?
domingo, 22 de setembro de 2013
mimese
Não queria voltar atrás...
Não é lá que eu quero viver.
Se no passado não estou mais,
Por quê, então, reviver?
Não queria ter tantas marcas,
Tão menos tanto pavor...
Não queria abandonar minhas cartas
Fossem elas de medo, alegria ou amor.
Não queria que esse sonho esvaísse,
Queria, uma vez, isso viver.
Por isso, o deixarei nesse verso
Para, sem culpa, esquecer.
E assim, guardado em poesia,
Não virou prosa mais uma fantasia.
Perguntarei ao João de Barro como fazer,
"Até quando serei igual a você?".
Não é lá que eu quero viver.
Se no passado não estou mais,
Por quê, então, reviver?
Não queria ter tantas marcas,
Tão menos tanto pavor...
Não queria abandonar minhas cartas
Fossem elas de medo, alegria ou amor.
Não queria que esse sonho esvaísse,
Queria, uma vez, isso viver.
Por isso, o deixarei nesse verso
Para, sem culpa, esquecer.
E assim, guardado em poesia,
Não virou prosa mais uma fantasia.
Perguntarei ao João de Barro como fazer,
"Até quando serei igual a você?".
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