domingo, 27 de maio de 2012

Trollando Conselhos

         
           Ouvi dizer que o inverno é rigoroso. Ouvi dizer também, que o tempo passa rápido e que nada é pra sempre mas não acreditei em nada que me disseram. Tive que pagar pra ver. A princípio damos risada, acreditando sermos imunes à tudo que nos foi alertado e a vida parece tão simplória. O céu é azul, os pássaros cantam e nossa disposição nunca foi tão grande.
           A vida segue, problemas maiores começam a aparecer, e, junto a eles, as dúvidas e indagações se é esse o melhor caminho, se é essa escolha a qual temos que fazer e se estamos mesmo preparados para o que estar por vir.
           Daí, o tempo passa e ao olhar para frente, damos risadas dos problemas passados considerados grandes, risada da nossa ingenuidade de pensar, por um momento que seja, que seria fácil e que nada nos aconteceria. Talvez essa seja a melhor fase, a fase socrática da tomada de consciência de que, na verdade, não sabíamos ao menos uma ínfima terça parte do caminho, "só sei que nada sei". E é daí que vem o maior dualismo: o medo empurrando para a desistência e a coragem empurrando para a persistência.
           Por um momento o céu ficou negro, os pássaros já não mais cantavam e a disposição de seguir em frente era quase nula. Estávamos à beira de um abismo e qualquer empurrão, seja de quem fosse, faria com que caíssemos. Mas é quando não se tem nada que se descobre o tudo que se precisa ter. Só descobrimos nosso potencial quando não há mais caminhos para seguir em frente e nós os fazemos. Sonhando edificamos pontes, tendo coragem estruturamos passagens mas só a vontade de seguir em frente faz os caminhos serem reais.
           E daí, descobre-se então, que o céu nunca deixou de ser azul, que os passáros nunca deixaram de cantar e a vida é sim, muito simples de lidar. Descobre-se então, que nossos cristalinos apenas estavam embaçados pela poeira que deixamos entrar enquanto andávamos de cabeça baixa. Descobre-se um novo potencial, uma nova coragem que serão testados na próxima vez que abaixarmos a cabeça de novo. Afinal, não importa quantas pessoas tentem lhe dizer o tamanho de uma dor, só o seu hipotálamo lhe dará a medida exata.

2 comentários:

Regina Magalhães disse...

Amei! Parabéns!

Regina Magalhães

Anônimo disse...

adorei! Parabéns