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| http://sabinerich.deviantart.com/art/Moleskine-sketch-2-350702193 |
Como todo amor antigo, doeu muito no começo. Quanto mais eu queria melhorar, mais dependente eu ficava. Dessa vez, "engolir o choro, 3x ao dia" era o que eu acreditava precisar, mas, para quem tem refluxo, nada fica entalado por muito tempo e era exatamente aí, que minha inexperiência e juventude berravam.
Ora, pensava eu, contar tudo para um papel é não contar para ninguém. Escrever com o único objetivo de ilustrar meus cadernos (comprados compulsivamente, claro), não era, nem deveria ser, considerado desabafo. As estantes não parecem tão sábias quanto nas fotos das bibliotecas e nem mesmo eu era a mesma pessoa do eu lírico. Aliás, brigávamos o tempo todo.
Era minha história, minha dor, minha alegria. Problema era dele se ele queria reescrever o final! Que se dane seus contos de fada e suas crônicas mal escritas. "Desculpa" - foi o que pensei - "mas minha história é rica demais pra caber em poucos versos" - dei de ombros e saí andando.
Andei tanto que cheguei em outro estado. Minha narrativa se encontrava em pleno desenvolvimento e complicações pareciam brotar do chão (certeza de que algumas vieram do submundo
). Foi então, que sem saber para onde ir (diante da máxima de que "se correr o bicho pega e se ficar o bicho come"), tentei me lembrar de onde vim.
Recolhi meus cadernos, estudei meus mapas e me encontrei. Ali, quietinha, na página 2.Uma lágrima escorreu e um sorriso ou dois escaparam. Ri de mim e do meu desespero. Andei tanto, tanto, tanto, que dei a volta ao mundo e, redondo como é, trouxe-me ao mesmo lugar. Eu, como todo viciado, tive que ir longe e ir muito à frente de mim para entender que fui gênio. Entender que estava tão a frente de meu próprio tempo que nem eu me entendia. Acreditar que versos não são e nunca serão desabafos e entender de uma vez por todas que quando a caneta quiser falar, é preciso ser humilde e deixá-la livre, pois tudo o que ela faz e guardar um pouco de si para quando você for outro.

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