terça-feira, 3 de setembro de 2013

Nostalgia

Autor desconhecido
A chuva fez subir o cheiro de terra molhada.
Definitivamente, desisto das borboletas.
Não por fracasso ou desilusão,
Mas por amar tão mais as flores
Jamais haverá compreensão
Do porque de tantas dores
Causadas por bicho tão esquisito
E mesmo assim considerado bonito.

Seu corpo não tem forma
E, no entanto, plana.
E, se dizem que tens coração aberto,
Como podem dizer que ama?
Ou, talvez, seja isto que a torna
Tão especial,
De esplendida forma,
De um jeito sem igual.

Admiro sua coragem de não considerar fraqueza.
Seu corpo não permite e mesmo assim você voa.
Admiro ainda, sua audácia de enfrentar a natureza
Embarcando de alma em qualquer brisa à toa.

E, assim como esse poema,
Já não é mais lagartinha,
Superaste a maior dor, sem qualquer problema:
Hoje é rosa, é borboleta, é dilema.

E se engana quem pensa ser confusão.
A dúvida é linda,
De tudo, é a coisa mais finda
que pode ser aceita até então.

domingo, 28 de julho de 2013

Frases De Um Poeta Mudo

Créditos: Yan Nogueira
          Quando o coração fica apertado, é porque a cabeça já está cheia. É nesse momento que se sente cada parte do corpo: a garganta da um nó, as mãos já se deram por congeladas e os olhos já não suportam mais tanta lágrima e escorre, então, a primeira. Seria hipocrisia dizer que gosto do silêncio que fica quando meus pensamentos gritam, mas não posso negar que é a melhor coisa que há. Com tanta música para traduzir o que sinto, mal me escuto e só nesse silêncio posso entender o que sinto. Ou não. As vezes (quase sempre) meus pensamentos gritam tão exaustivamente que saltam pelo olhar e aí campeão, nem a caneta acalenta.
          Aprecio o silêncio pelo tanto que ele pode transmitir. Só ele tem o dom de eternizar um segundo e sobrecarregá-lo de tanta ternura. Há, no silêncio, uma magia única e tão rara que, por isso, faz-se incompreendido. Isso é tão raro que quando não é mal aplicado, é, quase sempre, péssimamente interpretado, sendo classicamente traduzido por ignorância. A verdade é que não há tradução pro silêncio. Olhar no fundo dos olhos pode dizer tanto que frase alguma o substitui.
          Há quem vá dizer que imagens e atitudes valem mais que mil palavras. Que me desculpem os adeptos a essa filosofia mas, para mim, o silêncio ainda é imbatível. Nada no mundo será tão sutil e tão eficaz quanto ele porque se houve abraços, beijos e uma história, tudo só aconteceu porque houve, antes, um olhar.


"As palavras são cheias de arte e falsidade. O olhar sim, é a voz do coração"
SHAKESPEARE, W.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Ciranda

Meus amores não são eternos.
Nem mesmo eu sou.
Meus medos não são para sempre
Nem mesmo quem os causou.

Minha felicidade não é eterna.
Nem mesmo meu sorriso é.
Minhas ideias não estão na pedra
Nem numa esquina qualquer.

Tudo que sinto é fumaça
que sinaliza e disfarça.
E para aqueles que tentam entender
Só a fugacidade é o que podem ver.

E assim o tempo esvai.
Leva consigo o que não edificou
E o que se quer tentou.

E assim uma história tem fim
Para que outra possa começar.
E assim, cada vez mais longe de mim,
a vida gira e não pode parar...


segunda-feira, 27 de maio de 2013

Foco Automático

No começo me assustou...
Confesso que exitei o quanto pude
Mas vi que, de início, curou
aquilo que, por ventura, me ilude.

Talvez não curar,
um paliativo bastou.
Nem sei se almejo melhorar
desse mal que me alegrou.

Se a tristeza ensina,
a alegria faz esquecer.
Talvez, esta seja minha sina:
Aprender, esquecer e assim viver.

Não quero mais olhar para trás
Só o que quero agora é paz.
Não mais lacrimejar o que desfocou,
apenas refazer o que se sonhou.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Mártir do Bem Querer


Um bem querer não basta,
Só me contento com mais.
Esse bem querer me nefasta
Expulsa, do meu peito, a paz.

Não queria assim,
Queria tão diferente...
Queria te fazer contente,
Queria você junto a mim.

Aí a gente se distraí
E, por mero descuido,
O riso se esvai.

Aí percebo que chegou ao fim:
E aprendi estar só,
Somente junto a mim.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Salva-Vidas

A dor me cegou de tal forma,
Que quase não percebi
Que a felicidade estava logo ali:
Nem tão longe para se alcançar
E nem tão perto para se esbanjar.

E veio então um sorriso
para, uma lágrima, disfarçar,
Mas o ensaio foi tão preciso
Que não foi necessário encenar.

A alegria, então, brotou feito flor
Que desabrocha na primavera
Assim que sente o calor
Emanado pela nova quimera.

E assim tornou-se loucura
Para aqueles que não escutavam o som
O qual me fez feliz da forma mais pura:
Resgatando em mim o que havia de bom.

E foi assim que cataste meu resto
E, colando aos poucos me refez.
Ao me trazer para perto,
Fez-me feliz outra vez.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Crepúsculo

          Foi na tarde de maior tempestade que um passeio pela beira mar se tornou ideal, como se a reviravolta das marolas (sim, o mar estava mais calmo que as tantas mentes que o admiravam) tivesse sido, naquele instante, a pertubação necessária para homogenizar novamente a solução consistida de tantos pensamentos. E, apesar do silêncio, mente alguma estava quieta. As ideias eram tantas que, somadas às lembranças, já não cabiam apenas na memória e saltavam pelos olhares, ainda perdidos pelo mar.
          Talvez a areia, a brisa suave ou até mesmo o Sol fraco do entardecer, tudo, da sua maneira, conspirava um tanto para que aquela tarde fosse ideal. Ninguém soube ao certo para que, exatamente, mas que fosse assim, sem tirar nem por. O tempo passava e os tantos olhares (alguns aflitos, outros tristes e mais tantos outros a milhas de distância) ainda permaneciam imersos da água salgada. Impressionava como, sem falar nada, o mar podia ensinar tanto!
          Naquela tarde ordinária, pode-se aprender que, por maior que seja a onda, ela sempre recua antes de chegar à praia e assim, o mar ensinou a cautela. Na mesma tarde, aprendeu-se também que é mais fácil ceder à vontade dos ventos e não importa se deve ser exatamente desse jeito, mesmo que depois, ao se tornar brisa, a mesma vontade já não mais impere, a faça. O que vier depois, a maré dirá. Pode-se aprender tantas outras coisas mas a maior lição foi que não há nada melhor que passar o fim de tarde olhando o mar.