Tô deixando tudo pra trás.
Tô deixando tudo que me desfaz:
Todo meu antraz,
Tudo que bem, já não faz...
Tô mudando de lugar,
De sonho, de orquestra...
Tô mudando meu jeito de pensar
Apesar de mesma maestra.
Tô aprendendo a viver:
Aprendendo o desapego
E dos males esquecer.
Tô aprendendo a ser feliz:
Finalmente,
Aprendendo o que sempre quis.
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Temporal
Quando o tempo passa
e faz o relógio tic-taquear...
Este já não mais disfarça
que não consegue mais parar.
Dizem que o tempo
leva a dor embora...
Mas é justo este que me fere
por fazer em passado o meu agora.
Não há como deter,
não tem maneira de fugir,
não tente o tempo deter,
é impossível, acabo de desistir.
Deixo a ti então
minha maior lição:
o mar me fez ver
que a onda que te derruba
Só veio pra fortalecer.
e faz o relógio tic-taquear...
Este já não mais disfarça
que não consegue mais parar.
Dizem que o tempo
leva a dor embora...
Mas é justo este que me fere
por fazer em passado o meu agora.
Não há como deter,
não tem maneira de fugir,
não tente o tempo deter,
é impossível, acabo de desistir.
Deixo a ti então
minha maior lição:
o mar me fez ver
que a onda que te derruba
Só veio pra fortalecer.
domingo, 16 de setembro de 2012
O Real Motivo da Rosa
Senti saudades do que nunca fiz...
Tive curiosidade do que já experimentei...
Presumi que era a revolução da diretriz
Que um dia tanto idealizei.
Joguei pedra nos meus castelinhos de areia
e comemorei, dos grãos, cada estatelar
Percebi que era a reação em cadeia:
Sofrer, crescer e comemorar.
E só no momento de atonicidade
compreendi então o abraço da rosa e da fugacidade:
Não era drama, não era charme, tão menos morbidez.
Era apenas o amadurecimento lapidando-se na sensatez.
domingo, 27 de maio de 2012
Trollando Conselhos
Ouvi dizer que o inverno é rigoroso. Ouvi dizer também, que o tempo passa rápido e que nada é pra sempre mas não acreditei em nada que me disseram. Tive que pagar pra ver. A princípio damos risada, acreditando sermos imunes à tudo que nos foi alertado e a vida parece tão simplória. O céu é azul, os pássaros cantam e nossa disposição nunca foi tão grande.
A vida segue, problemas maiores começam a aparecer, e, junto a eles, as dúvidas e indagações se é esse o melhor caminho, se é essa escolha a qual temos que fazer e se estamos mesmo preparados para o que estar por vir.
Daí, o tempo passa e ao olhar para frente, damos risadas dos problemas passados considerados grandes, risada da nossa ingenuidade de pensar, por um momento que seja, que seria fácil e que nada nos aconteceria. Talvez essa seja a melhor fase, a fase socrática da tomada de consciência de que, na verdade, não sabíamos ao menos uma ínfima terça parte do caminho, "só sei que nada sei". E é daí que vem o maior dualismo: o medo empurrando para a desistência e a coragem empurrando para a persistência.
Por um momento o céu ficou negro, os pássaros já não mais cantavam e a disposição de seguir em frente era quase nula. Estávamos à beira de um abismo e qualquer empurrão, seja de quem fosse, faria com que caíssemos. Mas é quando não se tem nada que se descobre o tudo que se precisa ter. Só descobrimos nosso potencial quando não há mais caminhos para seguir em frente e nós os fazemos. Sonhando edificamos pontes, tendo coragem estruturamos passagens mas só a vontade de seguir em frente faz os caminhos serem reais.
E daí, descobre-se então, que o céu nunca deixou de ser azul, que os passáros nunca deixaram de cantar e a vida é sim, muito simples de lidar. Descobre-se então, que nossos cristalinos apenas estavam embaçados pela poeira que deixamos entrar enquanto andávamos de cabeça baixa. Descobre-se um novo potencial, uma nova coragem que serão testados na próxima vez que abaixarmos a cabeça de novo. Afinal, não importa quantas pessoas tentem lhe dizer o tamanho de uma dor, só o seu hipotálamo lhe dará a medida exata.
domingo, 29 de abril de 2012
Rosa dos Ventos
Por um tempo andei sumida,tão preocupada, tão distraída...
Por um momento pensei
ter esquecido da dor...
Quando no fundo, eu sei
que tentar esquecer só aumenta o ardor.
Estar perdido é ter que decidir
qual dos tantos rumos seguir.
Estar perdido é não ter pra onde ir.
É estar em um beco sem saída
e procurar em cada canto seu ponto de partida.
É olhar pra frente e ver o que estava atrás
É olhar pro agora e não o ver mais.
Mas para se encontrar,
é preciso antes se perder
Já que não tem como lembrar
do que não se consegue esquecer.
Por um momento pensei
ter esquecido da dor...
Quando no fundo, eu sei
que tentar esquecer só aumenta o ardor.
Estar perdido é ter que decidir
qual dos tantos rumos seguir.
Estar perdido é não ter pra onde ir.
É estar em um beco sem saída
e procurar em cada canto seu ponto de partida.
É olhar pra frente e ver o que estava atrás
É olhar pro agora e não o ver mais.
Mas para se encontrar,
é preciso antes se perder
Já que não tem como lembrar
do que não se consegue esquecer.
quarta-feira, 14 de março de 2012
Expansão Marítima
São tantos os navios a chegar
Carregados de problemas e lágrimas
E nenhum porto para atracar...
Começa, então, a questão:
faço um porto para receber tamanha dor
ou encarrego que a maré termine essa missão?
E se não fossem as tantas surpresas da vida,
jamais haveria alguma despedida.
Mas tudo que ficou
das coisas mais findas,
foram as coisas mais lindas
do que já passou.
Passou para nunca mais voltar.
Não é questão de deixar de viver,
não é questão de não querer sofrer...
É mera questão de recomeçar.
Carregados de problemas e lágrimas
E nenhum porto para atracar...
Começa, então, a questão:
faço um porto para receber tamanha dor
ou encarrego que a maré termine essa missão?
E se não fossem as tantas surpresas da vida,
jamais haveria alguma despedida.
Mas tudo que ficou
das coisas mais findas,
foram as coisas mais lindas
do que já passou.
Passou para nunca mais voltar.
Não é questão de deixar de viver,
não é questão de não querer sofrer...
É mera questão de recomeçar.
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Trolando a cadeia alimentar
Sinto-me um pássaro. Uma águia, mais precisamente. Uma águia a qual acaba de sair de um ovo escuro: pequena, com medo (mesmo sabendo que estou no topo da cadeia alimentar), sinto-me tão vunerável quando uma larva. Mas uma hora as penas nascem, o bico e as garras crescem... Chegou a defesa! Só que o mundo lá fora parece tão cruel que me sinto cada vez mais incapaz de voar.
O aconchego do ninho e a segurança do meu recanto não me parecem situações próprias para o abandono, pelo contrário. As nuvens nunca estiveram tão negras, os raios tão estrondosos, o frio e a solidão de um voo sim, são repulsas às novas tentativas.
Eu não queria nascer e mesmo assim quebrei a casca do frágil ovo. Agora é preciso sair. Três, dois, um: estou voando! É tudo tão lindo, tão pequeno! Sinto-me grande de novo! Estou forte para cortar qualquer vento e carregar a presa que eu quiser! Chegou a nuvem. Chegou a chuva. Chegou o tempo.
As penas, molhadas, estão tão pesadas... As asas doem! Voar já não é mais tão prezeroso, é hora de me recolher. Não sou mais a mesmo, preciso mudar! Preciso crescer. Volto ao ninho, agora frio, sombrio, molhado. Acredite, arrancar todas as penas e depois as garras não sangra mais do que um coração partido. Esmacelar o bico, tão duro, não dói tanto quanto a frustação. Nunca ninguém disse que seria fácil. Sempre soube.
E após longo e tenebroso inverno, o tempo, então, traz de volta as defesas. Sinto-me grande outra vez. O que não regenera são os sonhos deixados para trás. Por fim, tento me enganar de novo e acabo por me fazer de abutre ao viver me alimentando do que já morreu. Tudo isso, na mera tentativa de resgatar o pouco de esperança que resta.
É inacreditável o estrago que uma ave ratita pode fazer. Não importa se você é águia ou faisão. Agora as palavras de ordem são: frieza, calma e determinação. Agora a vida começa de verdade.
O aconchego do ninho e a segurança do meu recanto não me parecem situações próprias para o abandono, pelo contrário. As nuvens nunca estiveram tão negras, os raios tão estrondosos, o frio e a solidão de um voo sim, são repulsas às novas tentativas.
Eu não queria nascer e mesmo assim quebrei a casca do frágil ovo. Agora é preciso sair. Três, dois, um: estou voando! É tudo tão lindo, tão pequeno! Sinto-me grande de novo! Estou forte para cortar qualquer vento e carregar a presa que eu quiser! Chegou a nuvem. Chegou a chuva. Chegou o tempo.
As penas, molhadas, estão tão pesadas... As asas doem! Voar já não é mais tão prezeroso, é hora de me recolher. Não sou mais a mesmo, preciso mudar! Preciso crescer. Volto ao ninho, agora frio, sombrio, molhado. Acredite, arrancar todas as penas e depois as garras não sangra mais do que um coração partido. Esmacelar o bico, tão duro, não dói tanto quanto a frustação. Nunca ninguém disse que seria fácil. Sempre soube.
E após longo e tenebroso inverno, o tempo, então, traz de volta as defesas. Sinto-me grande outra vez. O que não regenera são os sonhos deixados para trás. Por fim, tento me enganar de novo e acabo por me fazer de abutre ao viver me alimentando do que já morreu. Tudo isso, na mera tentativa de resgatar o pouco de esperança que resta.
É inacreditável o estrago que uma ave ratita pode fazer. Não importa se você é águia ou faisão. Agora as palavras de ordem são: frieza, calma e determinação. Agora a vida começa de verdade.
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